Tradutor/Translate

segunda-feira, 25 de abril de 2011

- Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.

A dama do lotação

Nelson Rodrigues


Às dez horas da noite, debaixo de chuva, Carlinhos foi bater na casa do pai. O velho, que andava com a pressão baixa, ruim de saúde como o diabo, tomou um susto:

— Você aqui? A essa hora?

E ele, desabando na poltrona, com profundíssimo suspiro:

— Pois é, meu pai, pois é!

— Como vai Solange? - perguntou o dono da casa. Carlinhos ergueu-se; foi até a janela espiar o jardim pelo vidro. Depois voltou e, sentando-se de novo, larga a bomba:

— Meu pai, desconfio de minha mulher.

Pânico do velho:

— De Solange? Mas você está maluco? Que cretinice é essa?

O filho riu, amargo:

— Antes fosse, meu pai, antes fosse cretinice. Mas o diabo é que andei sabendo de umas coisas... E ela não é a mesma, mudou muito.

Então, o velho, que adorava a nora, que a colocava acima de qualquer dúvida, de qualquer suspeita, teve uma explosão:

— Brigo com você! Rompo! Não te dou nem mais um tostão!

Patético, abrindo os braços aos céus, trovejou:

— Imagine! Duvidar de Solange!

O filho já estava na porta, pronto para sair; disse ainda:

— Se for verdade o que eu desconfio, meu pai, mato minha mulher! Pela luz que me alumia, eu mato, meu pai!


A SUSPEITA


Casados há dois anos, eram felicíssimos. Ambos de ótima família. O pai dele, viúvo e general, em vésperas de aposentadoria, tinha uma dignidade de estátua; na família de Solange havia de tudo: médicos, advogados, banqueiros e, até, ministro de Estado. Dela mesma, se dizia, em toda parte, que era "um amor" ; os mais entusiastas e taxativos afirmavam: "É um doce-de-coco". Sugeria nos gestos e mesmo na figura fina e frágil qualquer coisa de extraterreno. O velho e diabético general poderia pôr a mão no fogo pela nora. Qualquer um faria o mesmo. E todavia... Nessa mesma noite, do aguaceiro, coincidiu de ir jantar com o casal um amigo de infância de ambos, o Assunção. Era desses amigos que entram pela cozinha, que invadem os quartos, numa intimidade absoluta. No meio do jantar, acontece uma pequena fatalidade: cai o guardanapo de Carlinhos. Este curva-se para apanhá-lo e, então, vê, debaixo da mesa, apenas isto: os pés de Solange por cima dos de Assunção ou vice-versa. Carlinhos apanhou o guardanapo e continuou a conversa, a três. Mas já não era o mesmo. Fez a exclamação interior: "Ora essa! Que graça!". A angústia se antecipou ao raciocínio. E ele já sofria antes mesmo de criar a suspeita, de formulá-la. O que vira, afinal, parecia pouco, Todavia, essa mistura de pés, de sapatos, o amargurou como um contato asqueroso. Depois que o amigo saiu, correra à casa do pai para o primeiro desabafo. No dia seguinte, pela manhã, o velho foi procurar o filho:

— Conta o que houve, direitinho!

O filho contou. Então o general fez um escândalo:

— Toma jeito! Tenha vergonha! Tamanho homem com essas bobagens!

Foi um verdadeiro sermão. Para libertar o rapaz da obsessão, o militar condescendeu em fazer confidências:

— Meu filho, esse negócio de ciúme é uma calamidade! Basta dizer o seguinte: eu tive ciúmes de tua mãe! Houve um momento em que eu apostava a minha cabeça que ela me traia! Vê se é possível?!


A CERTEZA


Entretanto, a certeza de Carlinhos já não dependia de fatos objetivos. Instalara-se nele. Vira o quê? Talvez muito pouco; ou seja, uma posse recíproca de pés, debaixo da mesa. Ninguém trai com os pés, evidentemente. Mas de qualquer maneira ele estava "certo". Três dias depois, há o encontro acidental com o Assunção, na cidade. O amigo anuncia, alegremente:

— Ontem viajei no lotação com tua mulher.

Mentiu sem motivo:

— Ela me disse.

Em casa, depois do beijo na face, perguntou:

— Tens visto o Assunção?

E ela, passando verniz nas unhas:

— Nunca mais.

— Nem ontem?

— Nem ontem. E por que ontem?

— Nada,

Carlinhos não disse mais uma palavra; lívido, foi no gabinete, apanhou o revólver e o embolsou. Solange mentira! Viu, no fato, um sintoma a mais de infidelidade. A adúltera precisa até mesmo das mentiras desnecessárias. Voltou para a sala; disse à mulher entrando no gabinete:

— Vem cá um instantinho, Solange.

— Vou já, meu filho.

Berrou:

— Agora!

Solange, espantada, atendeu. Assim que ela entrou, Carlinhos fechou a porta, a chave. E mais: pôs o revólver em cima da mesa. Então, cruzando os braços, diante da mulher atônita, disse-lhe horrores. Mas não elevou a voz, nem fez gestos:

— Não adianta negar! Eu sei de tudo! E ela, encostada à parede, perguntava:

— Sabe de que, criatura? Que negócio é esse? Ora veja!

Gritou-lhe no rosto três vezes a palavra cínica! Mentiu que a fizera seguir por um detetive particular; que todos os seus passos eram espionados religiosamente. Até então não nomeara o amante, como se soubesse tudo, menos a identidade do canalha. Só no fim, apanhando o revolver, completou:

— Vou matar esse cachorro do Assunção! Acabar com a raça dele!

A mulher, até então passiva e apenas espantada, atracou-se com o marido, gritando:

— Não, ele não!

Agarrado pela mulher, quis se desprender, num repelão selvagem. Mas ela o imobilizou, com o grito:

— Ele não foi o único! Há outros!


A DAMA DO LOTAÇÃO


Sem excitação, numa calma intensa, foi contando. Um mês depois do casamento, todas as tardes, saia de casa, apanhava o primeiro lotação que passasse. Sentava-se num banco, ao lado de um cavalheiro. Podia ser velho, moço, feio ou bonito; e uma vez - foi até interessante - coincidiu que seu companheiro fosse um mecânico, de macacão azul, que saltaria pouco adiante. O marido, prostrado na cadeira, a cabeça entre as mãos, fez a pergunta pânica:

— Um mecânico?

Solange, na sua maneira objetiva e casta, confirmou:

— Sim.

Mecânico e desconhecido: duas esquinas depois, já cutucara o rapaz: "Eu desço contigo". O pobre-diabo tivera medo dessa desconhecida linda e granfa. Saltaram juntos: e esta aventura inverossímil foi a primeira, o ponto de partida para muitas outras. No fim de certo tempo, já os motoristas dos lotações a identificavam à distância; e houve um que fingiu um enguiço, para acompanhá-la. Mas esses anônimos, que passavam sem deixar vestígios, amarguravam menos o marido. Ele se enfurecia, na cadeira, com os conhecidos. Além do Assunção, quem mais?

Começou a relação de nomes: fulano, sicrano, beltrano... Carlinhos berrou: "Basta! Chega!". Em voz alta, fez o exagero melancólico:

— A metade do Rio de Janeiro, sim senhor!

O furor extinguira-se nele. Se fosse um único, se fosse apenas o Assunção, mas eram tantos! Afinal, não poderia sair, pela cidade, caçando os amantes. Ela explicou ainda que, todos os dias, quase com hora marcada, precisava escapar de casa, embarcar no primeiro lotação. O marido a olhava, pasmo de a ver linda, intacta, imaculada. Como e possível que certos sentimentos e atos não exalem mau cheiro? Solange agarrou-se a ele, balbuciava: "Não sou culpada! Não tenho culpa!". E, de fato, havia, no mais íntimo de sua alma, uma inocência infinita. Dir-se-ia que era outra que se entregava e não ela mesma. Súbito, o marido passa-lhe a mão pelos quadris: — "Sem calça! Deu agora para andar sem calça, sua égua!". Empurrou-a com um palavrão; passou pela mulher a caminho do quarto; parou, na porta, para dizer:

— Morri para o mundo.


O DEFUNTO


Entrou no quarto, deitou-se na cama, vestido, de paletó, colarinho, gravata, sapatos. Uniu bem os pés; entrelaçou as mãos, na altura do peito; e assim ficou. Pouco depois, a mulher surgiu na porta. Durante alguns momentos esteve imóvel e muda, numa contemplação maravilhada. Acabou murmurando:

— O jantar está na mesa.

Ele, sem se mexer, respondeu:

— Pela ultima vez: morri. Estou morto.

A outra não insistiu. Deixou o quarto, foi dizer à empregada que tirasse a mesa e que não faziam mais as refeições em casa. Em seguida, voltou para o quarto e lá ficou. Apanhou um rosário, sentou-se perto da cama: aceitava a morte do marido como tal; e foi como viúva que rezou. Depois do que ela própria fazia nos lotações, nada mais a espantava. Passou a noite fazendo quarto. No dia seguinte, a mesma cena. E só saiu, à tarde, para sua escapada delirante, de lotação. Regressou horas depois. Retomou o rosário, sentou-se e continuou o velório do marido vivo.


O texto acima, extraído do livro "A vida como ela é...", Companhia das Letras - São Paulo, 1992, pág. 219, é um de seus mais famosos contos, tendo sido tendo sido adaptado para o cinema com grande sucesso.

sexta-feira, 1 de abril de 2011






Saudações minhas crianças, eis mais uma humilde indicação de algo muito interessante que encontrei. Segue o link do site do caricaturista baiano Tiago Hoisel, radicado em São Paulo, e alguns exemplos do trabalho dele, vão ao sítio e confiram!!!



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ai


Rubi
Composição: Tata Fernandes / Kléber Albuquerque

Deu meu coração de ficar dolorido
Arrasado num profundo pranto
Deu meu coração de falar esperanto
Na esperança de se compreendido

Deu meu coração equivocado
Deu de desbotar o colorido
Deu de sentir-se apagado
Desiluminado
Desacontecido

Deu meu coração de ficar abatido
De bater sem sentido
Meu coração surrado
Deu de arrancar o curativo
Deu de cutucar o machucado

Deu de inventar palavra
Pra curar de significado
O escuro aço denso do silêncio
De um coração trespassado

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Eveline (James Joyce)

veline (James Joyce)Saudações

Há tempo que não posto (estou muito perdido nas declinações superiores), mas não esqueci de vocês.

Registrando minha meia-volta (volver), lego-vos um autor que muito tem agradado a mim, e, de quem, com uma das estórias, estou a trabalhar (a que segue, por sinal):

James Joyce: James Augustine Aloysius Joyce (2 February 1882 – 13 January 1941), escritor irlandês, cujo conto apresentado, publicado na antologia "The Dubliners" (1914,) é caracterizado por uma linguagem densa, porém extremamente acessível e agradável à leitura, em uma narrativa psicológica construída através de imagens bastante sólidas e verossímeis.

Eveline

She sat at the window watching the evening invade the avenue. Her head was leaned against the window curtains, and in her nostrils was the odour of dusty cretonne. She was tired.

Few people passed. The man out of the last house passed on his way home; she heard his footsteps clacking along the concrete pavement and afterwards crunching on the cinder path before the new red houses. One time there used to be a field there in which they used to play every evening with other people's children. Then a man from Belfast bought the field and built houses in it − not like their little brown houses, but bright brick houses with shining roofs. The children of the avenue used to play together in that field − the Devines, the Waters, the Dunns, little Keogh the cripple, she and her brothers and sisters. Ernest, however, never played: he was too grown up. Her father used often to hunt them in out of the field with his blackthorn stick; but usually little Keogh used to keep nix and call out when he saw her father coming. Still they seemed to have been rather happy then. Her father was not so bad then; and besides, her mother was alive. That was a long time ago; she and her brothers and sisters were all grown up; her mother was dead. Tizzie Dunn was dead, too, and the Waters had gone back to England. Everything changes. Now she was going to go away like the others, to leave her home.

Home! She looked round the room, reviewing all its familiar objects which she had dusted once a week for so many years, wondering where on earth all the dust came from. Perhaps she would never see again those familiar objects from which she had never dreamed of being divided. And yet during all those years she had never found out the name of the priest whose yellowing photograph hung on the wall above the broken harmonium beside the coloured print of the promises made to Blessed Margaret Mary Alacoque. He had been a school friend of her father. Whenever he showed the photograph to a visitor her father used to pass it with a casual word:

`He is in Melbourne now.'

She had consented to go away, to leave her home. Was that wise? She tried to weigh each side of the question. In her home anyway she had shelter and food; she had those whom she had known all her life about her. Of course she had to work hard, both in the house and at business. What would they say of her in the Stores when they found out that she had run away with a fellow ? Say she was a fool, perhaps; and her place would be filled up by advertisement. Miss Gavan would be glad. She had always had an edge on her, especially whenever there were people listening.

`Miss Hill, don't you see these ladies are waiting?'

`Look lively, Miss Hill, please.'

She would not cry many tears at leaving the Stores.

But in her new home, in a distant unknown country, it would not be like that. Then she would be married − she, Eveline. People would treat her with respect then. She would not be treated as her mother had been. Even now, though she was over nineteen, she sometimes felt herself in danger of her father's violence . She knew it was that that had given her the Palpitations. When they were growing up he had never gone for her, like he used to go for Harry and Ernest , because she was a girl; but latterly he had begun to threaten her and say what he would do to her only for her dead mother's sake. And now she had nobody to protect her, Ernest was dead and Harry, who was in the church decorating business, was nearly always down somewhere in the country. Besides, the invariable squabble for money on Saturday nights had begun to weary her unspeakably. She always gave her entire wages − seven shillings − and Harry always sent up what he could, but the trouble was to get any money from her father. He said she used to squander the money, that she had no head, that he wasn't going to give her his hard−earned money to throw about the streets, and much more, for he was usually fairly bad on Saturday night. In the end he would give her the money and ask her had she any intention of buying Sunday's dinner. Then she had to rush out as quickly as she could and do her marketing, holding her black leather purse tightly in her hand as she elbowed her way through the crowds and returning home late under her load of provisions. She had hard work to keep the house together and to see that the two young children who had been left to her charge went to school regularly and got their meals regularly. It was hard work − a hard life − but now that she was about to leave it she did not find it a wholly undesirable life.

She was about to explore another life with Frank. Frank was very kind, manly, open−hearted. She was to go away with him by the night−boat to be his wife and to live with him in Buenos Aires, where he had a home waiting for her. How well she remembered the first time she had seen him; he was lodging in a house on the main road where she used to visit. It seemed a few weeks ago. He was standing at the gate, his peaked cap pushed back on his head and his hair tumbled forward over a face of bronze. Then they had come to know each other. He used to meet her outside the Stores every evening and see her home. He took her to see The Bohemian Girl and she felt elated as she sat in an unaccustomed part of the theatre with him He was awfully fond of music and sang a little. People knew that they were courting, and, when he sang about the lass that loves a sailor, she always felt pleasantly confused. He used to call her Poppens out of fun. First of all it had been an excitement for her to have a fellow and then she had begun to like him. He had tales of distant countries. He had started as a deck boy at a pound a month on a ship of the Allan Line going out to Canada. He told her the names of the ships he had been on and the names of the different services. He had sailed through the Straits of Magellan and he told her stories of the terrible Patagonians. He had fallen on his feet in Buenos Aires, he said, and had come over to the old country just for a holiday. Of course, her father had found out the affair and had forbidden her to have anything to say to him.

`I know these sailor chaps,' he said.

One day he had quarrelled with Frank, and after that she had to meet her lover secretly.

The evening deepened in the avenue. The white of two letters in her lap grew indistinct. One was to Harry; the other was to her father. Ernes! had been her favourite, but she liked Harry too. Her father was becoming old lately, she noticed; he would miss her. Sometimes he could be very nice. Not long before, when she had been laid up for a day, he had read her out a ghost story and made toast for her at the fire. Another day, when their mother was alive, they had all gone for a picnic to the Hill of Howth. She remembered her father putting on her mother's bonnet to make the children laugh.

Her time was running out, but she continued to sit by the window, leaning her head against the window curtain, inhaling the odour of dusty cretonne. Down far in the avenue she could hear a street organ playing.

She knew the air. Strange that it should come that very night to remind her of the promise to her mother, her promise to keep the home together as long as she could. She remembered the last night of her mother's illness; she was again in the close, dark room at the other side of the hall and outside she heard a melancholy air of Italy. The organ−player had been ordered to go away and given sixpence. She remembered her father strutting back into the sick−room saying:

`Damned Italians! coming over here!'

As she mused the pitiful vision of her mother's life laid its spell on the very quick of her being − that life of commonplace sacrifices closing in final craziness. She trembled as she heard again her mother's voice saying constantly with foolish insistence:

`Derevaun Seraun! Derevaun Seraun!'

She stood up in a sudden impulse of terror. Escape! She must escape! Frank would save her. He would give her life, perhaps love, too. But she wanted to live. Why should she be unhappy? She had a right to happiness. Frank would take her in his arms, fold her in his arms. He would save her.

She stood among the swaying crowd in the station at the North Wall. He held her hand and she knew that he was speaking to her, saying something about the passage over and over again. The station was full of soldiers with brown baggages. Through the wide doors of the sheds she caught a glimpse of the black mass of the boat, lying in beside the quay wall, with illumined portholes. She answered nothing. She felt her cheek pale and cold and, out of a maze of distress, she prayed to God to direct her, to show her what was her duty. The boat blew a long mournful whistle into the mist. If she went, tomorrow she would be on the sea with Frank, steaming towards Buenos Aires. Their passage had been booked. Could she still draw back after all he had done for her? Her distress awoke a nausea in her body and she kept moving her lips in silent fervent prayer.

A bell clanged upon her heart. She felt him seize her hand: `Come!'

All the seas of the world tumbled about her heart. He was drawing her into them: he would drown her. She gripped with both hands at the iron railing.

`Come!'

No! No! No! It was impossible. Her hands clutched the iron in frenzy. Amid the seas she sent a cry of anguish.

`Eveline! Evvy!'

He rushed beyond the barrier and called to her to follow. He was shouted at to go on, but he still called to her.She set her white face to him, passive, like a helpless animal. Her eyes gave him no sign of love or farewell or recognition.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Citação do livro "O vendedor de sonhos"

"(...) a dor nos cega e a frustração nos emburrece."

Uma bela citação desse livro, belíssimo por sinal, cuja leitura é recomendada a todos.

terça-feira, 23 de novembro de 2010


Ah, desgraça inerente à raça!
     o grito torturante da morte
         e o golpe que atinge a veia,
     o sangramento inestancável,a dor
a maldição insuportável.

Mas há uma cura dentro
       e não fora de casa,não
           vinda de outros mais deles próprios
       por sua disputa sangrenta. Apelamos a vós,
deuses da sombria terra.

Ouvi bem-aventurados poderes soterrâneos -
       atendei o nosso apelo,socorrei-nos
Favorecei os filhos,dai-lhes a vitória.

Ésquilo, As coéforas


"Retirado das primeiras páginas do livro Harry Potter e as Relíquias da Morte" 
A morte é apenas uma travessia do mundo,tal como os amigos que
atravessaram o mar e permanecem vivos uns nos outros. Porque sentem
necessidade de estar presentes, para amar e viver o que é onipresente.
Nesse espelho divino vêem-se face a face; e sua conversa é livre e pura.
Este é o consolo dos amigos e embora se diga que morrem, sua amizade
e convívio estão, no melhor sentido, sempre presentes, porque são imortais.


                                                         Willian Penn, More Fruits of Solitude 






"Retirado das primeiras páginas do livro Harry Potter e as Relíquias da Morte" 

Be Yourself, Know Yourself

Até quando eu vou ficar assim? Aí esta uma pergunta que eu não sei responder, uma de muitas... Por que diabos eu tenho que me esconder? Onde está escrito isso, que tem que ser assim, que não pode ser diferente... Boa merda de conjuntura social, boa merda de tudo hoje, dor de cabeça e inspiração, fome e falta de vontade de comer e claro, como sempre, minha típica apatia, eu poderia citar muitas e muitas coisas que fazem companhia à minha apatia de vez em sempre, a insegurança, o humor ambíguo e por aí a fora. Mas, detendo-me ao que eu acho que quero escrever hoje... Sinceramente espero que algum dia eu possa realmente seguir o conselho que eu mais vi ontem e hoje ‘seja você mesma’, não sem bem qual é a verdadeira Bianca, na verdade, malmente me identifico com a grafia do meu próprio nome, digamos que me acostumei com a sonoridade, e tomei aquilo como um alerta, como se toma frases como ‘socorro!’, ‘cuidado!’ e tantas outras coisinhas mínimas pra despertar um pouco de interesse e alerta.Ousaria colocar ‘Psiu!’ como uma das frases, mas eu mesma procuro abolir esse chamado, que, na maioria dos casos é de algum inútil tentando chamar minha atenção e, estupidamente, quebrar minha apatia. Pois então, além da falta de certo interesse por mim mesma, falta de auto-identificação nominal, tenho também uma dificuldade com espelhos, impressionante como cada espelho tem um tipo de vida própria, em cada um me sinto uma pessoa diferente, o que menos engana ou deprime é o do banheiro, ele me conhece tem uns anos, me vê escovando os dentes, me vê sempre, nunca deixo de visitá-lo quando posso quanto aos outros, bom, são apenas espelhos e não parecem compreender minha verdadeira essência (se é que é possível compreende-la).Um dos outros grandes embates com os espelhos é a capacidade que eles tem de iludir, mas essa não é uma falta restrita ao espelho e sim à imagem em si, como é fácil construir um sorriso falso e fazer todos acreditarem nele, como é fácil e seguro viver de aparências e negando a si próprio. É mais ou menos assim: ninguém sabe que você se sente mal, logo você não se sente mal e nada pode te afetar, aí então, os que tentariam te destruir mudam de idéia e os que tentariam e poderiam te ajudar não vêem sentido na ajuda, já que, tecnicamente, esta tudo bem.Ah, o “tudo bem”, com certeza, é a frase mais mentirosa de todos os tempos, e mentimos essa mentira (perdoe aqui a redundância) sempre, mais até, e muito mais, do que falamos ‘bom dia, boa noite/tarde’. Talvez pela necessidade que temos de fazer o que chamamos de nos proteger, ou até pelo hábito de mentir, fato é que é extremamente complicado pra mim, entender racionalmente quem diabos eu sou se sempre que estou mal digo que estou bem e sempre que estou bem, bom, aí parece que eu sou louca/anormal e que minha excitação com algo que me agradou/agrada faz mal, basicamente, se estou bem dizem que estou mal.Mais uma vez: “como diabos saberei quem sou eu se nem ao menos consegui escrever algo conclusivo?” e sinceramente, não tenho a mínima ideia da razão pela qual coloquei aspas na minha própria frase. Não sei, como não sei muitas coisas, não sei como é morrer (biologicamente apenas), não sei como é nascer (esqueci...), não sei como amar sem ferir, não sei como é ser homem (exceto pelo que meus amigos já me contaram de algumas sensações, mas, é claro, nunca vivenciei), não sei como é matar alguém (já tive desejo, muitas vezes, mas nenhuma coragem e prefiro não ter), não sei meus próprios gostos, não sei muitos assuntos de gramática que passaram batidos, enfim, sabiamente falando, Não sei nada, nem ao menos como terminar esse texto, mas tenho que fazê-lo, o farei dizendo pra você e pra mim mesma: “Just Be Yourself, Nothing Else.”.

Untitled


Sempre gostei mais de números, me dou bem com eles e eles comigo, são de natureza simples e ajudam bastante. Já as palavras, bem, as palavras tem um dom de ser várias coisas em uma só, e foram criadas pra explicitar as necessidades ou algo do gênero, basicamente, as palavras vem de dentro pra fora e os números de fora pra dentro, os números já estão ali prontos na natureza, por exemplo, se há dois gatos, há dois gatos, nem um nem três, mas dois. No meu próprio exemplo dos gatos eu posso encontrar um dos maiores problemas gerado pela palavra, a interpretação, por que, convenhamos, o que é um gato para mim pode não ser um gato para você, aí reside a maior das dificuldades humanas, ou uma das, fazer-se entender pelo outro - que quer você queria, quer não, é OUTRO, é EXTERNO.é justa e unicamente esse choque do interno com o externo, do que você quer dizer com o que entendem, do seu eu com o outro que causa problemas desavenças e tantas outras coisas, este texto por exemplo, perdeu completamente o rumo, é sempre assim dentro de mim tudo perde o rumo, as palavras e os meus sentimentos tem uma grande dificuldade de se ajustarem uns aos outros, nem sempre o que eu te digo é exatamente como eu me sinto, na maioria das vezes não é. Enquanto, nos cálculos matemáticos e até mesmo no raciocínio lógico, por mais diferente que seja o meu caminho e o seu, por mais diferentes que sejamos uns dos outros, o resultado é o mesmo, o ponto final é que une e não o de partida tem certo quê de romance, não nos perderemos uns dos outros chegaremos no mesmo lugar, por isso, e só por isso eu ainda prefiro os números.

O Ser Humano - Kurt Tucholsky

"O ser humano tem duas pernas e duas
convicções: uma para quando está bem e outra para quando está mal. Esta última
se chama religião.O ser humano é um vertebrado e tem uma alma imortal, tanto
quanto uma pátria, para não ficar muito atrevido. O ser humano é produzido por
via natural, porém que ele achaque não é natural e evita falar sobre isso. Ele é
feito, mas não consultado se queria ser feito.O ser humano é um ser vivo útil,
pois a morte no campo de batalha serve para elevar às alturas as ações de
petrolíferas, a morte nas minas serve para aumentar o lucro do dono da mina e,
além disso, ele ainda faz cultura, arte e ciência.O ser humano tem, além do
instinto de reprodução e os de comer e beber, duas paixões: fazer barulho e não
escutar. Quase daria para definir o ser humano como um ser que nunca escuta. Se
é sábio, faz ele muito bem: sensatez é muito raro de se ouvir. Os seres humanos
gostam de ouvir promessas, bajulações, elogios e cumprimentos. No caso de
bajulações, recomenda-se proceder sempre três vezes mais descaradamente do que
se julga ser o limite do possível.O ser humano inveja a sua espécie. Por isso,
inventou as leis. Se ele não pode, então ninguém pode.Para confiar num ser
humano, é melhor sentar em cima dele; pelo menos assim a gente pode ter certeza
de que não escapa. Alguns também confiam no caráter.(...)O ser humano é um ente
devorador de plantas e animais; em expedições polares devora de vez em quando
exemplares de sua própria espécie; porém isso é contrabalançado pelo fascismo.O
ser humano é uma criatura política, que prefere passar a vida em amontoados.
Cada amontoado odeia os outros amontoados, porque são os outros. E odeia o
próprio, porque é o próprio.(...)Todo ser humano tem um fígado, um baço, pulmões
e uma bandeira; esses órgãos são vitais. Pode ser que haja seres humanos sem
fígado, sem baço ou com apenas um pulmão; não há seres humanos sem
bandeira.(...)Quando o ser humano sente que já não pode mais pegar o bonde
andando, torna-se piedoso e sábio; renuncia então às uvas amargas do mundo. A
isto chama-se exame de consciência. As diferentes faixas etárias do ser humano
consideram umas às outras como raças diferentes:os velhos normalmente se
esquecem de que foram jovens, ou se esquecem de que são velhos, e os jovens
nunca compreendem que podem envelhecer.O ser humano não gosta de morrer, pois
não sabe o que vem depois. Se acha que sabe, também não gosta; ainda quer
participar mais um pouco do que já passou. “Um pouco” aqui quer dizer:
eternamente.No mais, o ser humano é um ser vivo que martela, toca música ruim e
deixa o cão latir. Às vezes faz silêncio, mas é quando está morto.Além do ser
humano, há ainda os saxões e os americanos, mas sobre esses ainda não
aprendemos. Zoologia só teremos no ano que vem."
Bom, achei o texto um tanto quanto preconceituoso no final, mas muito interessante o ponto de vista dele, e irônico.
vi no perfil de um estranho no orkut hoje...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A Melhor Banda De Todos Os Tempos Da Última Semana-Titãs

Composição: Branco Mello / Sérgio Britto







Quinze minutos de fama
Mais um pros comerciais,
Quinze minutos de fama
Depois descanse em paz.
O gênio da última hora,
É o idiota do ano seguinte
O último novo-rico,
É o mais novo pedinte
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores
fracassos
Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então
As músicas mais pedidas
Os discos que vendem mais,
As novidades antigas
Nas páginas do jornais
Um idiota em inglês,
Se é um idiota, é bem menos que nós
Um idiota em inglês
É bem melhor do que eu e vocês
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos
Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então
Os bons meninos de hoje
Eram os rebeldes da outra estação
O ilustre desconhecido
É o novo ídolo do próximo verão
A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nem tudo é para sempre!

  Nem tudo é para sempre!
Seja uma viagem, uma brincadeira, um sorriso, meus amigos!
Desde a infância guardamos os momentos na memória para recordar no futuro.
Bons momentos foram aqueles, que eu jogava bola descalço na rua, corria na chuva com amigos que fazia na hora, e não me preocupava com o amanhã!
Tinha a responsabilidade de ser feliz e trazer felicidade para quem eu amo. Apenas isso.
Tudo virava brincadeira.

Até que chega a fase da adolescência e de certa forma começa o aprendizado da vida.
Primeiro beijo, primeira namorada, amizades estão cada vez mais fortes e muitas vão ser levadas para o resto da vida. E na escola começa a preocupação de escolher a sua futura profissão, é uma das decisões mais importantes na vida de uma pessoa.
Sua vida esta totalmente envolvida nesse fato... É praticamente três anos para se preparar para o dia do vestibular, nervos a flor da pele, o sonho de trabalhar com o que ama ter sucesso profissional e ter liberdade financeira, é um desejo que todo jovem tem e busca. Sair das “asas” dos pais, não ter que justificar “tudo” o que faz para eles.

Até que um dia, quando você menos espera você encontra a mulher da sua vida, se apaixona, faz tudo para conquistá-la e enfim consegue. Seu desejo agora é formar uma família e ter filhos.
Em pouco tempo está casado e morando junto com sua amada.
A vida prossegue...
Você trabalha, muitas vezes com paixão pelo que faz, para dar para a sua família recém formada uma vida melhor do que você teve.
Anos passam, a rotina e as novidades se misturam e muitas vezes nada se repete.
Seus filhos crescem, e o ciclo recomeça... Agora você será o telespectador e conselheiro de seus “descendentes” e tentará mostrar o melhor caminho a ser tomado, buscando trazer para eles a felicidade que teve no passado.
Eles vão crescer, vai tomar suas decisões e consequentemente seu caminho e deixarão o “paizão” com o coração apertado, por ter que entregar os filhos ao mundo.
Como fala minha mãe “O mundo ensina”.

Com seus filhos já encaminhados, sua vida torna mais tranqüila e como passatempo e diversão resta relembrar todo o passado e rir das brincadeiras, lembrar das antigas paixões e ver como foi bom errar para hoje ter aprendido e ter seguido o caminho certo.
A velhice chega e tudo que vim na vida é lucro, você já é feliz por ver as pessoas que ama feliz. A ultima coisa que tem para esperar é a morte... Não tem para onde escapar... Você um dia vai conhecer a Dona Morte. Este será seu fim.
   Nem tudo é para sempre!


Ítalo Nunes 



quarta-feira, 4 de agosto de 2010

("A Biblioteca de Babel")

"Talvez a velhice e o
medo me enganem,
mas suspeito que a espécie 
humana - a única -
está em vias de extinção
e que a Biblioteca
perdurará: iluminada,
solitária,infinita, 
perfeitamente imóvel,
armada de volumes
preciosos,inútil,
incorruptível,secreta"


Retirado do Livro Ficções de Jorge Luis Borges

Minha Angústia.Esse é o Meu Ponto Final.

A angústia de não ter nada para fazer, esse é meu ponto final. Se tiver alguma coisa para dizer, fale agora ou se cale para sempre. Isso não é um casamento, saiba disso! Tenho medo das atitudes que pretendo tomar, pois posso sofrer as conseqüências que não desejei.

Enfim,ter medo não vale a pena, o bom da vida é arriscar! Se for para errar, estou preparado, pois é errando que se aprende, não é?

Cada dia que passa, novas pessoas surgem, do nada, para alegrar, enlouquecer, me deixar com muita raiva, conquistar meu coração, ou trazer um pouco de paz (apenas paz). Eu consigo viver apenas com isso. (Eu acho.)

É...Existe de tudo nesse mundo, basta parar para observar que, você conseguirá notar, quem você realmente deseja conhecer irá aparecer.

Muitos julgam sem conhecer, outros julgam sem saber, e outros nem sabem o que dizer. Ignore os que julgam sem conhecer, reflita sobre os que julgam sem saber, e tenha medo de quem não sabe o que diz. Siga isso! Acredite nisso! Ah, espere! Isso vai de opinião; faça o que bem entender!

Pois é,a vida não é perfeita. Pode até ser boa para alguns, mas não vai ser para sempre, não existe perfeição, quem vive de sonho não poderá dizer que viveu. Utopia não enche barriga, realidade nua e crua de vez em quando, é sempre bom. Experimente o mundo real, a Terra do Nunca só existe nos livros infantis!

Aprenda a criticar na hora certa, no momento certo e aprenda a escutar quando estiver errado. Você não pode achar que o mundo circula em volta do seu umbigo, você não é nenhum DEUS DO OLIMPO... É bom ser Humilde às vezes, não dói, não engorda, e não mata. Apenas é necessário. Experimente!

Acha que nem um pouco disso tem sentido? Então você perdeu seu tempo! Só Lamento pela sua ignorância!

angústia de ter feito alguma coisa, esse é meu ponto final

Autor: Ítalo Nunes.